sábado, 19 de março de 2016

... sobre hoje...

Os jacarés têm destas coisas que são o de ser um dos bichos mais feios que existe ao cimo da Terra, além de serem falsos como as cobras e Judas (estranha relação esta, a de Judas e a das cobras e dos jacarés). Poder-se-ia falar, aqui, dos crocodilos, também, pela semelhança que terão com toda esta bicharada. As suas lágrimas não são, propriamente, as mais verdadeiras porque aguardam as vítimas como se estivessem calmamente refastelados num qualquer colchão de parque de campismo, depois de terem comido uma valente feijoada e nunca mais chegasse o bendito café que os vais afastar do que nunca acontecerá: dormir que nem frade medieval  após outro repasto (nova estranha relação entre bicharada e seres humanos com capelo, o mesmo do polvo (e quem bem o conhecia o Imperador da Língua Portuguesa, de acordo com o nosso Poeta-Plural).

Ora, levanta-se um grupo de gente “todos feitos dhuu coraçom com tallente”, conforme diria o nosso Fernão Lopes, logo de manhãzinha, a uma Sétima-Feira, e arranja forma de chegar a este povoado tão cultural, onde já os aguarda o encenador diabólico. Uns terão que partir, a seguir, para campos onde se debateu o Infante, outros mergulharão nas águas de Protéu, outros juntar-se-ão a familiares, amigos… Caminha o dito grupo para a Sala-R, onde os aguarda, nem mais nem menos, do que esse animal feio e mistura de polvo-Judas-Frade-medieval-cobra-crocodilo. O que é estranho, no meio desta referência à Transformer, é que este dito bicho, violentíssimo (diga-se de passagem), os faz sorrir. Pensa-se nisto. Há qualquer coisa de estranho, ou antes, tendo em conta o povoado cultural em que se está, há “algo” (que bonito!) de estranho. Não é suposto que um bicho destes, falso como Ju… não repitamos o que já foi dito anteriormente… faça rir. Um bicho destes, que verdadeiramente se preze, deve assustar. Não fazer cócegas. E este grupo de gente, que anteriormente tinha procurado, de forma extremamente bélica (sorri Camões, agora!) os estandartes inimigos, empurrando, saltando por cima, atropelando, formiguedeando, gotejando, dando cotoveladas fortíssimas nos narizes dos inimigos, pregando rasteiras (esta é mentira, mas fica bem para realçar a expressividade da utilização das formas verbais neste contexto, dir-se-ia, épico!), decide (assim o requer a coerência divina), fazer uma ponte, construída aos empurrões (batota… batota… grita o encenador, furibundo! Que os devia ter mandado voltar ao início para serem trucidados pelas valentes dentadas dos ditos ferozes, violentíssimos seres que, com tanta mistura, mais parecem semáforos avariados a caminho de um bar esquisitíssimo nos confins da Barbárielândia, onde se contam piadas loucas e completamente nonsense sobre bebidas) como se se tivesse soltado um T-Rex (mais conhecido, entre os amiguinhos das noitadas, pelo Rinoceronte em /T/ ) alucinado. E assim atingiu o seu objetivo este grupo de gente, mais desperta e satisfeita (saltaram mesmo de contentes, os maganos) por terem vencido o malfadado bicho-mistura (que ainda lá deve estar a chorar de baixinho, a deitar contas à vida!).

Após esta temível aventura, as “gentes da Arte Dramática” procuraram, dentro de si (… há algo do filme “Exorcista” subtilmente delineado nestas palavras) os Outros.

Ou antes, foi ao contrário. Eles ainda não perceberam isso mas eles é que são as Personagens. E, quão Lucky Luck a caminho do pôr-do-sol, assim se riu o Encenador, feliz. Todos tinham derrotado o Bicho-Mistura e surgira, de alguma forma, a Magia do Abraço-hYbris.



(PM)




















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