domingo, 27 de março de 2016

hYbris pelos lados de Viseu...

O Sol ainda gira em torno de uma Terra estática

e são os Homens das Artes que fazem o Mundo tremer.

O Teatro é arte.

Viajar é arte.

Viver também pode ser arte
se o fizermos de forma artística.

Acordamos e abrimos as cortinas
do palco,
vestimos as roupas
dos nossos personagens,
contracenamos,
e viajamos para lugares outros
onde somos efetivamente Outros.

Onde as estrelas vivem em gaiolas invertidas,
e o escuro é sinónimo de luz e de mãos entrelaçadas.

Onde as crianças aproveitam
a escuridão-luz de um tal Cinema Misterioso para
fazer contas com os dedos e acabam a
sonhar.

Os Pensamentos têm uma voz própria
e as casas também.

“As casas nascem, vivem e morrem.”
E nasce um beijo com sabor a mar
que faz a Terra-estátua girar.

O Universo enche-se de estrelas pirilampas
possíveis de serem apanhadas e
guardadas no bolso
para nos lembrarem de que,
afinal,
há sempre Luz.

E mesmo no escuro,
nós viajamos
e vivemos
e somos arte. 
Ana Rita Rebelo (Texto e fotografia)

 
 
(Para ler mais textos de Ana Rita Rebelo, ver aqui)

sexta-feira, 25 de março de 2016

Reinvenção...


Ao meu lado, um computador. Há momentos em que apetece a escrita na pedra, de novo. Porque é para isso que o Homem caminha cada vez mais. A bestialidade transformada em sorrisos que surgem, de forma cínica, hipócrita, em câmaras de televisão, na rua, nos locais públicos.
Neste mesmo computador, peça de alta tecnologia, ficção cientifica, diriam os mais Antigos, sinto a música tocada pelos dedos mágicos, quase divinos, de Nils. Vou com ele. Deixo-me embarcar e embalar, de forma simples. Outros mundos. Nunca sentiram que conseguiriam ir em cima de um tapete mágica a navegar ao sabor do vento? Outras visões. Como é possível criar esta música? Aquece-me um cachecol, tranquiliza-me a paz que aqui vivo, agora. O descanso. Olho a janela. O sol parece compreender toda esta magia. O seu conforto não lhe permite o ínfimo gesto. Sente o coração quente. Deixa-se abraçar, de vez em quando por esta ou aquela nuvem que, de forma traquina, o tenta esconder. Na minha secretária, um guião a ser reinventado. E imagino-vos. Vou supondo os vossos gestos, os vossos sorrisos, procuro perceber o vosso Futuro. Têm sido tanto num mundo que pouco vos têm dado. Cada um de nós, os adultos, procura soluções, saber-vos bem, bem-aventurados, tranquilos. Sentir o sol que agora (parece estar tão perto, sabem?) ilumina esta tarde que, aos poucos, se vai acinzentando. Sabe a ananás fresco no verão cada uma destas tardes. Ou ao leve crepitar da madeira. Gosto do cheiro dos pinheiros e não me canso de brincar com as pinhas. E no papel, cada um de vós, em forma de um pequeno círculo de papel, com uma inscrição colorida. Porque é assim que são. Coloridos. Têm trazido cor a este Espaço onde vos observam, vos ouvem os Outros. E é neste Contagio transformado em Arte que vamos vivendo da melhor forma. Aqui.
 
Fiquem hYbris.
Obrigado por tanto.
 
 











 

sábado, 19 de março de 2016

... sobre hoje...

Os jacarés têm destas coisas que são o de ser um dos bichos mais feios que existe ao cimo da Terra, além de serem falsos como as cobras e Judas (estranha relação esta, a de Judas e a das cobras e dos jacarés). Poder-se-ia falar, aqui, dos crocodilos, também, pela semelhança que terão com toda esta bicharada. As suas lágrimas não são, propriamente, as mais verdadeiras porque aguardam as vítimas como se estivessem calmamente refastelados num qualquer colchão de parque de campismo, depois de terem comido uma valente feijoada e nunca mais chegasse o bendito café que os vais afastar do que nunca acontecerá: dormir que nem frade medieval  após outro repasto (nova estranha relação entre bicharada e seres humanos com capelo, o mesmo do polvo (e quem bem o conhecia o Imperador da Língua Portuguesa, de acordo com o nosso Poeta-Plural).

Ora, levanta-se um grupo de gente “todos feitos dhuu coraçom com tallente”, conforme diria o nosso Fernão Lopes, logo de manhãzinha, a uma Sétima-Feira, e arranja forma de chegar a este povoado tão cultural, onde já os aguarda o encenador diabólico. Uns terão que partir, a seguir, para campos onde se debateu o Infante, outros mergulharão nas águas de Protéu, outros juntar-se-ão a familiares, amigos… Caminha o dito grupo para a Sala-R, onde os aguarda, nem mais nem menos, do que esse animal feio e mistura de polvo-Judas-Frade-medieval-cobra-crocodilo. O que é estranho, no meio desta referência à Transformer, é que este dito bicho, violentíssimo (diga-se de passagem), os faz sorrir. Pensa-se nisto. Há qualquer coisa de estranho, ou antes, tendo em conta o povoado cultural em que se está, há “algo” (que bonito!) de estranho. Não é suposto que um bicho destes, falso como Ju… não repitamos o que já foi dito anteriormente… faça rir. Um bicho destes, que verdadeiramente se preze, deve assustar. Não fazer cócegas. E este grupo de gente, que anteriormente tinha procurado, de forma extremamente bélica (sorri Camões, agora!) os estandartes inimigos, empurrando, saltando por cima, atropelando, formiguedeando, gotejando, dando cotoveladas fortíssimas nos narizes dos inimigos, pregando rasteiras (esta é mentira, mas fica bem para realçar a expressividade da utilização das formas verbais neste contexto, dir-se-ia, épico!), decide (assim o requer a coerência divina), fazer uma ponte, construída aos empurrões (batota… batota… grita o encenador, furibundo! Que os devia ter mandado voltar ao início para serem trucidados pelas valentes dentadas dos ditos ferozes, violentíssimos seres que, com tanta mistura, mais parecem semáforos avariados a caminho de um bar esquisitíssimo nos confins da Barbárielândia, onde se contam piadas loucas e completamente nonsense sobre bebidas) como se se tivesse soltado um T-Rex (mais conhecido, entre os amiguinhos das noitadas, pelo Rinoceronte em /T/ ) alucinado. E assim atingiu o seu objetivo este grupo de gente, mais desperta e satisfeita (saltaram mesmo de contentes, os maganos) por terem vencido o malfadado bicho-mistura (que ainda lá deve estar a chorar de baixinho, a deitar contas à vida!).

Após esta temível aventura, as “gentes da Arte Dramática” procuraram, dentro de si (… há algo do filme “Exorcista” subtilmente delineado nestas palavras) os Outros.

Ou antes, foi ao contrário. Eles ainda não perceberam isso mas eles é que são as Personagens. E, quão Lucky Luck a caminho do pôr-do-sol, assim se riu o Encenador, feliz. Todos tinham derrotado o Bicho-Mistura e surgira, de alguma forma, a Magia do Abraço-hYbris.



(PM)