quarta-feira, 22 de abril de 2015

Continuando com força.

Hoje fomos tampas. Tampas-tragédia incumbidas de uma missão que não a habitual. Tampas despidas de qualquer roupa, desviadas de um caminho padronizado. Deixámos sozinhas as garrafas que tapávamos. Experimentámos a liberdade à qual estamos condenados e permitimos a saída de uma água que não é mais do que uma alma envolvida num turbilhão de sentimentos. Sentimos dor. Sofremos. Fomos, mais uma vez, autênticos. Mas de nada vale a honestidade e abertura de uma simples garrafa se não formos movidos por uma cor. Pela mesma. A nossa. 

Fábio Anunciação

terça-feira, 21 de abril de 2015

Decisões




Não é fácil ser-se bom, estar de acordo com as expectativas que todos os que nos rodeiam têm de nós. Não é fácil ser-se bom, quereremos ultrapassar-nos. Os deuses olham-nos e parecem, simplesmente, gozar com tudo aquilo que procuramos ser. Com tudo aquilo que somos. Levantamo-nos sempre a olhar para o fundo da estrada, para um horizonte que parecendo tão perto está ainda tão longe. Mas não desistimos. Entramos nos nossos carros, nos nossos autocarros. Calçamos os sapatos que nos fazem pisar, com segurança, as pedras que nos abraçam, que nos vão mantendo firmes, umas vezes, que nos fazem tremer, outras tantas. Sorrimos. Choramos. Gritamos de alegria porque alguém nos preenche. Agitamo-nos com violência por não conseguirmos chegar onde queremos. Mas não desistimos. Seja no Teatro-Vida. Ou na Vida-Teatro. Olhamos os relógios que trazemos nos pulsos e muitos são os momentos em que os queríamos transformados em pequenos barcos que nos levassem por mares calmos, em direção a ilhas cheias de exóticos animais, frutos nunca saboreados. Mas nunca desistimos. E lágrima a lágrima, sorriso a sorriso, vamos caminhando. De mão dada, a lembrar que, afinal, todas
 
as tampas devem ser azuis.
 
Agora.
No Futuro.


(PM) 

sábado, 18 de abril de 2015

A gravar... ação... corta.

 
A acreditar no que se tornara uma ilusão feita de Teatros-Outros-Que-Não-os-nossos...


Um agradecimento, de todos os participantes, ao Encarregado de Educação da Luana Lopes, pelo apoio, disponibilidade e carinho demonstrados.

 (PM)
 
 
 








 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O nosso projeto...




Ato Primeiro

 Terá nascido em 497 ou 496 a.C e falecido no inverno de 406 ou 405 a.C. Dramaturgo grego, foi um dos mais importantes escritores de tragédias, juntamente com Ésquilo e Eurípedes. Terá nascido em Colono, perto de Atenas, durante o governo de Péricles, considerado o apogeu da cultura helénica e de acordo com uma enciclopédia do séc. X terá escrito cento e vinte a três peças, das quais apenas sete se mantiveram de forma completa. Foi o mais celebrado dos dramaturgos durante quase cinquenta anos, na cidade-estado de Atenas, nos concursos dramáticos que tinham lugar nas festas religiosas Leneana e Dionísia. Trabalhou como ator. As suas tragédias apresentam-nos o sofrimento que decorre, por um lado, do excesso de paixão e, por outro, o que é consequência do destino.

Σοφοκλῆς. Assim se chama, em grego.
Sófocles. Assim se chama na língua de Camões.

 

Ato Segundo

 Uma Trilogia. A Tebana. Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona. E é, nesta trilogia, este último texto dramático que nos fará homenagear Sófocles. Sim. Antígona. Uma irmã deseja sepultar um irmão. Creonte, o tio, absolutista, não o permite. Quem desafia as leis de quem as dita só poderá ter um fim. O que fazer então? Defender os valores da pólis? Ou permitir, de alguma forma, a intromissão de valores morais que permitam a salvação de Antígona? O que fará a sua irmã? E o noivo de Antígona, filho de Creonte? Conseguirá Tirésias, o adivinho-deus salvar tudo e todos do que parece ser o fim iminente de personagens que acreditam nos seus valores e que por eles lutam afincadamente?

 

Ato Terceiro


 Sabem, no fundo teria sido bem mais fácil desistir. Os obstáculos com que nos temos deparado tem-nos levado a pensar nisso. Afazeres pessoais. Uma vida académica. A aprendizagem constante e o crescimento pessoal no dia-a-dia. As novidades. As incompatibilidades. Mas hoje, perante os obstáculos, acreditámos que seríamos capazes de homenagear Sófocles e todos aqueles que tanto têm feito pelo Teatro. É quase um atrevimento fazermos este texto. Lidamos com o que há de mais puro no Teatro. Lidamos com a Essência do Teatro. Mas saberemos fazê-lo. Temos rido. Chorado. Temos questionado. Descoberto. E uns, de forma mais fácil, outros de forma mais difícil. Mas tenho-vos visto crescer. Como seres humanos que são. E como quem faz teatro da forma mais bonita e verdadeira. E assim vamos percorrendo o nosso palco. Os nossos palcos. A fechar ciclos. A abrir outros. E no fim teremos o sorriso do público.
 
“Simpathos”.
 
Autêntico.