domingo, 22 de fevereiro de 2015

E assim...






... nos vamos revelando.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Tens a consciência de que és apenas uma pequena parte de um pequeno mundo temporário formado por pessoas enormes. Tens noção disso. Mas mesmo assim, por algum motivo estúpido, sentes que podes pertencer a esse mundo de gigantes. Sentes que tens de estar ali por alguma razão. Sentes que há ali algo que te agarra e que te prende. Sentes que, se calhar, podes pertencer ali.

                                                                                                                                                                                                                                (Rita Rebelo)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

... sobre a palavra-base...



Sabem, começa sempre tudo com a escolha de um texto. Nunca é fácil. Vai sendo o número de elementos do elenco que condiciona, em grande parte, a escolha. Temos Vontades, Desejos. Às vezes, como este, surge de uma brincadeira, de um disse-por-acaso, de um Sonho. Depois, a distribuição dos papéis. Aqui funciona o critério principal.

A Vida.
A Vida.

Estimamo-la, apaixonamo-nos por ela. Sabemos, no fundo, que (a acreditar), só temos esta e é preciso aproveitá-la. E a Vida muda-nos. Ensina-nos. Repreende-nos. Faz-nos ter Esperança. Chorar. Rir. Abraçar. Detestar. Acreditar. Sim. Acima de tudo, Acreditar.

Com letra maiúscula.

E pela sensatez, pedimos, vamos pedindo, que cada um de vós se sinta privilegiado por poder emprestar a Alma, o Corpo em que habitam a personagens que vivem fechadas em papel. Se as abrirmos, elas segredam-vos, falam-vos, abraçam-vos. Também vos podem detestar, odiar, tornarem-se desconfiadas. Como na Vida. Na Vida. Cada um de nós é-personagem. Cada um de nós deverá ter a consciência do que quer, onde quer chegar. Diz o Poeta que não sabe por onde vai mas sabe que não vai por aí. Parece contraditório. A Vida dir-vos-á que não. Já vos diz. Ao entrarem na Sala-R, trazem os vossos desejos, as vossas lágrimas, os vossos sorrisos. Olho-vos nestas fotografias e vejo Pessoas-Mundo. Aprendo. Aprendem. Ensino. Ensinam. É isso que é a Vida. Chamam-lhe “Reciprocidade”. Esta palavra, iniciada pela letra R, que é também a da nossa Sala, está perto de uma outra começada pela letra O. De “Obrigado”. Caminham de mãos dadas, sabem? E depois voltamos à letra da nossa Sala, a iniciar a palavra “Recompensa”. No fim de tudo isto, a palavra “Vida”. Que começa com um “V”. De “Vitória”. De “Vida”. E, sem que se estivesse à espera, tudo parece

fazer sentido.

E todos os dias tentamos levantarmo-nos para dar um Sentido à nossa Vida. É isto que cada um dos elementos deste Grupo de Teatro faz cada vez que vem a esta Sala, numa escola, em dias que são Sábados, dias de interrupção de atividades letivas e tantos e tantos outros. Chegam sonolentos. Adoentados. Preocupados com o futuro académico. Cansados, no final do dia. A interrogarem-se. E, contudo, pediram-nos os Deuses do Teatro, desta vez, que os homenageássemos, pelo tanto que nos têm dado. Cada vez que aqui entramos sabemos que há alguém, um dramaturgo, um autor, que gostava de teatro e que nos está a sorrir. Mais, que amava o Teatro. Eles fazem parte do público para quem nós nos emprestamos. São, como no blog que criámos, “Expressões de Alma”. Como a Pintura. A Escrita. O Cinema. E tantas e tantas outras. Nós, aqui, escolhemos, nesta Sala, o Teatro. Porque há personagens que nos procuram, que nos gritam aos ouvidos para nós nos transformarmos naquilo que é o Ser Humano no que de mais belo tem e no que de mais monstruoso também comporta. Continuemos a sê-lo. No fim, vê-los-emos partir, felizes. Nós também o ficaremos.
 
(E no fim, olharei para o palco e baixarei a minha cabeça, suavemente.
Porque há letras a que temos que dar importância).
 
Reciprocidade
 
Obrigado
 
Vida
 
Vitória
 
Respeito
 
Entrega
 
Alma
 
 
Teatro
 
Teatro
 
Teatro
 
 
 













 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Serão assim as memórias...?

 
(Cena Um)
 
Acordar... ensaiar...
 
 
 
(Cena Dois)
 
... uma...
... duas...
... três...
 
... horas... horas... horas...
 
 
 
(Cena Três)
 
... um ...
... dois ...

... três ...
... quatro ...
... cinco ...
... seis ...
 
... segundos... segundos... segundos...


Serão estas as memórias futuras...?
 
 
 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Quem seremos...




... no fundo, ao Sermos Outros?
 
 
 
 
 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Gotas de orvalho






São como pequenas gotas de orvalho aquelas que vos vejo nos rostos, agora. Olho-vos. Invade-vos o silêncio. Dançam, neles, traquinas Memórias. Vivas. Peço-vos quase o Impossível. É de Sangue-Juventude a matéria de que são feitos. Desse que vos levará tão longe. Serão outros os Palcos onde irão sorrir. Também chorar. Haverá Abraços. Saio de um espaço doente, onde se procura a Esperança e encontro-vos, nestas mesas que vos desafiam, assim, a quererem o Mundo. E tê-lo-ão. Bem o merecem. Vão-se emprestando a personagens que vos falam aos ouvidos. E nessas breves conversas, íntimas, intrometo-me.
 
Traz-me essa Memória. Agora.
 
Quem é ele?
Quem era ele?
Quem é ela?
O que fazia?
 
Quem somos...? Nós...?
 
Depois, afastamo-nos e refugiamo-nos nessa rotunda negra. Encontramos o abraço que nos acolhe, os sorrisos que nos transformam. O encosto da cadeira que nos desculpabiliza. Teremos uma praia. Iremos regressar à água e nela habitaremos por tempos. Mais tarde, no Fim de uma Tarde-Depois, o pública nada saberá disto. Perceberemos a o seu respirar e as mesmas gotas a saberem ao nosso mar.
 
Assim vamos vivendo. No meio de Memórias. Das nossas Memórias. E na Memórias dos Outros. Porque já o somos também. E entre a justiça e a injustiça, o bom e o mau, a rebeldia e a ingenuidade, a coragem e o arrependimento, o Tempo vai sendo curto. Demasiadamente curto.
 
É bom viver neste Palco-Mundo.
 
 
 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Memória



(... memórias...)

São brancas as paredes. Azul o chão. Leva-nos o corpo por entre os pequenos traços pretos, nestas folhas-neve, a que procuramos dar vida. Está frio. Muito frio. Este é um espaço novo. Bonito. E os espaços só são frios porque nunca foram habitados. Também o Amor. A Amizade... É o ritmo de corações, dos gestos, dos nossos olhares que os tornam mais quentes. Mas o desconforto, desta vez, leva-nos, de novo, de volta à Sala-R. Recebe-nos a senhora do sorriso bonito. Há Calor neste sorriso. Há Abraço. Gosto de vos ver aqui, de vos ouvir, diz-nos em gestos tímidos que lamentou a nossa saída para o outro espaço. Aqui estamos. Sorrimos todos. Somos poucos. Três. Assim nos vamos ajudando. Gerindo as nossas vidas para mais tarde recordar o Tanto que somos no Tanto que Elas, em segredo, no texto, são. Como lá chegar? Como ser Tanto?
 
(... memórias...
Oiçam. Oiçam como nos falam...)
 
Sim. Choraremos. Deixar-nos-emos ir nesta avalanche interior de Saudades. Olhamos, subitamente, o Palco e são Elas que lá estão.
 
Em Vida.
Na Vida.
Em Morte.
Na Morte.
 
Todos somos Ser-Dilema. Todos somos Ser-Opção. Olhamo-nos ao espelho vezes sem conta e temos a sorte, muito de vez em quando, de nos questionarmos sobre Aquele, Aquela que nos observa. Quem és tu que passas a escova pelos cabelos? Quem és tu que colocas um creme na cara? Quem és tu que lavas os dentes? Quem sou eu que vejo o sinal no rosto ou os detalhes que sempre lá estiveram e não me tinha apercebido? Todos nós somos Ser-Detalhe. E no palco, em segredo, num grito mudo, gritamos
 
Volta...!
... Volta!...
Tenho Saudades tuas.
 
Levanta-se a Memória, depois de um tranquilo descanso, estende-nos a mão, seguramo-la e caminhamos. Felizes.
 
Cumplicidades. Abraço-Carícia. Assim vamos sendo. No Teatro. Na Vida. Nos pequenos palcos. A caminhar como cegos que tudo veem. A caminhar no Arrependimento que nos ilumina.
 
Plenitude.
Máscara.