terça-feira, 30 de setembro de 2014

... sobre o novo projeto...





Começámos. Sentámo-nos à volta de uma mesa. Tínhamos os guiões. E por entre risos e pequenas conversas, começámos a “partir pedra”. Houve quem as tivesse trazido. Serão os nossos amuletos para este novo projeto. Obrigado. Obrigado. Foi tão importante e bonito o gesto. Ficou uma primeira leitura. Afinal, todos os caminhos difíceis começam da mesma forma: com um passo. Foi o que fizemos. Sabemos o que nos apaixona. Sabemos o que queremos fazer. Miguel Torga escrevia, num poema, que o mais importante não é o cais onde se aporta, é o mar que se percorre. E nós iremos navegá-lo, estejam as águas calmas ou revoltas. E teremos um paraíso ou um inferno como destino, arrais que nos aguardam.


Joaquim Paulo Nogueira, jornalista, entrevistou Luís Miguel Cintra. Uma das perguntas era sobre esse mundo extraordinário, o teatro, em que pessoas, diante de outras, fazem de conta que são outras pessoas. Luís Miguel Cintra respondeu assim:


“- É uma necessidade de as pessoas se juntarem. De pessoas vivas. É por isso que quanto mais se afasta o espectador da noção de que são pessoas de carne e osso que estão ali à frente, mais acho que se está a negar a essência do teatro.” (…) “- São pessoas vivas que estão a construir uma espécie de objeto enigmático. E a sensação, a emoção que esse objeto provoca é o motivo por que elas se reúnem. No teatro gosto de estar na primeira fila, gosto é de ver as pessoas vivas ali em frente. O teatro é um fenómeno humano.”


Fica o convite. Sintamo-nos vivos, então.