terça-feira, 22 de novembro de 2016

Notícias


Bom dia,

Sou a Sílvia, irmã do Paulo. O meu irmão agradece todo o vosso apoio e carinho que têm demonstrado ao longo destes terríveis dias. 

Da minha parte, não tenho palavras para expressar o quanto tem sido bom receber as vossas mensagens, os vossos telefonemas, a coragem e força, o quanto têm rezado por ele, por todas as energias positivas que lhe têm transmitido. Muito obrigada!

Se Deus quiser, assim que o Paulo sair do hospital, pede para vos dizer que entrará em contacto com todos para irem festejar mais esta vitória e entrarem em novas aventuras.


Bem HAJAM!


Sílvia

domingo, 27 de março de 2016

hYbris pelos lados de Viseu...

O Sol ainda gira em torno de uma Terra estática

e são os Homens das Artes que fazem o Mundo tremer.

O Teatro é arte.

Viajar é arte.

Viver também pode ser arte
se o fizermos de forma artística.

Acordamos e abrimos as cortinas
do palco,
vestimos as roupas
dos nossos personagens,
contracenamos,
e viajamos para lugares outros
onde somos efetivamente Outros.

Onde as estrelas vivem em gaiolas invertidas,
e o escuro é sinónimo de luz e de mãos entrelaçadas.

Onde as crianças aproveitam
a escuridão-luz de um tal Cinema Misterioso para
fazer contas com os dedos e acabam a
sonhar.

Os Pensamentos têm uma voz própria
e as casas também.

“As casas nascem, vivem e morrem.”
E nasce um beijo com sabor a mar
que faz a Terra-estátua girar.

O Universo enche-se de estrelas pirilampas
possíveis de serem apanhadas e
guardadas no bolso
para nos lembrarem de que,
afinal,
há sempre Luz.

E mesmo no escuro,
nós viajamos
e vivemos
e somos arte. 
Ana Rita Rebelo (Texto e fotografia)

 
 
(Para ler mais textos de Ana Rita Rebelo, ver aqui)

sexta-feira, 25 de março de 2016

Reinvenção...


Ao meu lado, um computador. Há momentos em que apetece a escrita na pedra, de novo. Porque é para isso que o Homem caminha cada vez mais. A bestialidade transformada em sorrisos que surgem, de forma cínica, hipócrita, em câmaras de televisão, na rua, nos locais públicos.
Neste mesmo computador, peça de alta tecnologia, ficção cientifica, diriam os mais Antigos, sinto a música tocada pelos dedos mágicos, quase divinos, de Nils. Vou com ele. Deixo-me embarcar e embalar, de forma simples. Outros mundos. Nunca sentiram que conseguiriam ir em cima de um tapete mágica a navegar ao sabor do vento? Outras visões. Como é possível criar esta música? Aquece-me um cachecol, tranquiliza-me a paz que aqui vivo, agora. O descanso. Olho a janela. O sol parece compreender toda esta magia. O seu conforto não lhe permite o ínfimo gesto. Sente o coração quente. Deixa-se abraçar, de vez em quando por esta ou aquela nuvem que, de forma traquina, o tenta esconder. Na minha secretária, um guião a ser reinventado. E imagino-vos. Vou supondo os vossos gestos, os vossos sorrisos, procuro perceber o vosso Futuro. Têm sido tanto num mundo que pouco vos têm dado. Cada um de nós, os adultos, procura soluções, saber-vos bem, bem-aventurados, tranquilos. Sentir o sol que agora (parece estar tão perto, sabem?) ilumina esta tarde que, aos poucos, se vai acinzentando. Sabe a ananás fresco no verão cada uma destas tardes. Ou ao leve crepitar da madeira. Gosto do cheiro dos pinheiros e não me canso de brincar com as pinhas. E no papel, cada um de vós, em forma de um pequeno círculo de papel, com uma inscrição colorida. Porque é assim que são. Coloridos. Têm trazido cor a este Espaço onde vos observam, vos ouvem os Outros. E é neste Contagio transformado em Arte que vamos vivendo da melhor forma. Aqui.
 
Fiquem hYbris.
Obrigado por tanto.
 
 











 

sábado, 19 de março de 2016

... sobre hoje...

Os jacarés têm destas coisas que são o de ser um dos bichos mais feios que existe ao cimo da Terra, além de serem falsos como as cobras e Judas (estranha relação esta, a de Judas e a das cobras e dos jacarés). Poder-se-ia falar, aqui, dos crocodilos, também, pela semelhança que terão com toda esta bicharada. As suas lágrimas não são, propriamente, as mais verdadeiras porque aguardam as vítimas como se estivessem calmamente refastelados num qualquer colchão de parque de campismo, depois de terem comido uma valente feijoada e nunca mais chegasse o bendito café que os vais afastar do que nunca acontecerá: dormir que nem frade medieval  após outro repasto (nova estranha relação entre bicharada e seres humanos com capelo, o mesmo do polvo (e quem bem o conhecia o Imperador da Língua Portuguesa, de acordo com o nosso Poeta-Plural).

Ora, levanta-se um grupo de gente “todos feitos dhuu coraçom com tallente”, conforme diria o nosso Fernão Lopes, logo de manhãzinha, a uma Sétima-Feira, e arranja forma de chegar a este povoado tão cultural, onde já os aguarda o encenador diabólico. Uns terão que partir, a seguir, para campos onde se debateu o Infante, outros mergulharão nas águas de Protéu, outros juntar-se-ão a familiares, amigos… Caminha o dito grupo para a Sala-R, onde os aguarda, nem mais nem menos, do que esse animal feio e mistura de polvo-Judas-Frade-medieval-cobra-crocodilo. O que é estranho, no meio desta referência à Transformer, é que este dito bicho, violentíssimo (diga-se de passagem), os faz sorrir. Pensa-se nisto. Há qualquer coisa de estranho, ou antes, tendo em conta o povoado cultural em que se está, há “algo” (que bonito!) de estranho. Não é suposto que um bicho destes, falso como Ju… não repitamos o que já foi dito anteriormente… faça rir. Um bicho destes, que verdadeiramente se preze, deve assustar. Não fazer cócegas. E este grupo de gente, que anteriormente tinha procurado, de forma extremamente bélica (sorri Camões, agora!) os estandartes inimigos, empurrando, saltando por cima, atropelando, formiguedeando, gotejando, dando cotoveladas fortíssimas nos narizes dos inimigos, pregando rasteiras (esta é mentira, mas fica bem para realçar a expressividade da utilização das formas verbais neste contexto, dir-se-ia, épico!), decide (assim o requer a coerência divina), fazer uma ponte, construída aos empurrões (batota… batota… grita o encenador, furibundo! Que os devia ter mandado voltar ao início para serem trucidados pelas valentes dentadas dos ditos ferozes, violentíssimos seres que, com tanta mistura, mais parecem semáforos avariados a caminho de um bar esquisitíssimo nos confins da Barbárielândia, onde se contam piadas loucas e completamente nonsense sobre bebidas) como se se tivesse soltado um T-Rex (mais conhecido, entre os amiguinhos das noitadas, pelo Rinoceronte em /T/ ) alucinado. E assim atingiu o seu objetivo este grupo de gente, mais desperta e satisfeita (saltaram mesmo de contentes, os maganos) por terem vencido o malfadado bicho-mistura (que ainda lá deve estar a chorar de baixinho, a deitar contas à vida!).

Após esta temível aventura, as “gentes da Arte Dramática” procuraram, dentro de si (… há algo do filme “Exorcista” subtilmente delineado nestas palavras) os Outros.

Ou antes, foi ao contrário. Eles ainda não perceberam isso mas eles é que são as Personagens. E, quão Lucky Luck a caminho do pôr-do-sol, assim se riu o Encenador, feliz. Todos tinham derrotado o Bicho-Mistura e surgira, de alguma forma, a Magia do Abraço-hYbris.



(PM)




















segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Bruuuuuuuuceeeee-hYbris


Há uma simplicidade imensa neste homem, uma humildade com sabor a passado. Está sentado ao lado de grandes homens, mulheres que fecham os olhos e mergulham numa voz quente, ali, no palco. Sabe a lareira crepitante em dia gelado esta voz. Sabe a camisolas de golas altas, cálidas, como se a alma ficasse subitamente aninhada, protegida. Cantam para o homem que se encontra no lado oposto. Cumprimentam-no como se de um deus se falasse, c...omo se um deus se homenageasse. Mas não é nenhum deus. É apenas um homem que canta, é apenas um homem que dá voz às vozes que emudeceram porque a vida assim lhos exigiu. Há um quase não acreditar. E é quente a voz de Sting, é gigantesca a voz de Bruce Springsteen. É, estranhamente, ou talvez não, triste o seu olhar. Há um sorriso tímido. Chora a mãe atrás, olham-nos atores que desapareceram. No fim, o grito…. Bruuuuuuuuuuuuuuuuuuuucce. Bruuuuuuuuuuuuuuuuuuuucce. Acena-lhes de forma simples. Jon Stewart dissera, no início: “Bruce não canta, testemunha”. Tratam-no por “The Boss”. Porque é isso que ele é. The Boss. Grande. Enorme. Maior do que o que está ao seu lado. Muito maior. É de simpliciade e humildade que se fazem as grandes pessoas. 
 
É esta gola alta, esta lareira que se sente quando se está aqui, numa Sala que começa com a letra R.
 
 
hYbris
 
 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

... em processo...



 

 
É assim que saio de casa. A olhar e a tentar perceber se o que vejo é neve, se apenas granizo que se acumulou durante a noite. Paro, fotografo. Acorda-me a brisa gélida que me atravessa a alma. Procuro o carro, que não me recordo onde deixei. Continua o frio. Olho as nuvens cinzentas, escuras, que me olham com um sorriso, a prometerem novo vendaval. Recordo a cama quente e continuo. Há corações quentes para onde vou, há novas procuras, novos desafios. Dificilmente alguém compreenderá esta paixão. Os que lá estão sabem-na, conhecem-na. Os que não lá estão também. Sentem-na. Querem-na, ainda que em formas diferentes. Como na vida. A estabelecer prioridades. Mas a procurar ser o melhor possível.

O caminho é feito debaixo de uma chuva miúda e traquina. O regresso será feito com o granizo a fustigar violentamente o vidro do carro. 

Já ele me espera, à estrada da Sala-R. Nota-se o sono no rosto de quem está. Mas a vontade de ali estar. “É a Hora”, diz o Poeta-Plural. Será a nossa, hoje. E será no Final.

           “No mais Musa, no mais, que a Lira tenho
             Destemperada, e a voz enrouquecida,
             E não do canto, mas de ver que venho
             Cantar a gente surda, e endurecida:
             O favor com que mais se acende o engenho,
             Não no dá a pátria, não, que está metida,
             No gosto da cobiça, e na rudeza
             D' hua austera, apagada, e vil tristeza.”


Disse-o o Poeta. E continuamos. Primeiro as cadeiras. Depois o chão. Está frio. O pequeno aquecedor procura trazer-nos algum conforto. A sala é grande. Mas maior é a vontade. “Não achas que as pessoas são uma coisa muito bonita?” Há pequenos toques de mão. Talvez fiquem para sempre. E continuamos. Teremos a magia do cinema. Veremos o arco-íris em estranhos bailados. Sorriremos no final.



Porque uma vez hYbris, sempre hYbris.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Aparência-hYbris









 
 
 
Sabem…
Sai-se de casa num carro, apanham-se comboios para se chegar a um destino, caminha-se enquanto olhamos, nas montras, manequins que testemunham o que lá fora se passa (quem verá quem, no fundo?), vive-se, cada um à sua maneira (tantas vezes, cada vez mais, à maneira dos que nos querem a viver de determinadas formas) e o tempo passa. Ao nosso lado, acompanham-nos os anónimos, os amigos, a família, os colegas, os profissionais e os amadores, os que nos amam e os que nem-por-isso e os que procuram, simplesmente, uma vida. A sua, talvez. Ou a dos outros, também. Ver pessoas numa estação de comboios é sempre uma experiência que vale a pena passar por ela. Ver pessoas nos aeroportos também. Há as partidas (os choros, os abraços quentes, o tem-cuidado-contigo-dá-notícias, o boa viagem, a vontade de ir também…) e as chegadas (os choros, os abraços quentes, o que-tal-a-viagem, vou-levar-te-a-imensos-sítios, olhares cúmplices, as esmagadoras-saudades, o ficar-para-sempre…). Estar num jardim, sentado, também traz momentos inesquecíveis. Porque ouvimos pássaros e as pequenas flores que com eles dialogam. Bebemos a água que vemos naquela fonte (ali, veem?) e sentimos este quentinho do sol que nos sobe pelo corpo, enquanto nos surpreende uma qualquer brisa vinda não sei de onde. E vemos. E olhamos. E ouvimos, mais e mais. E sentimos. Sentimos. E divagamos por nós próprios, como se fôssemos apenas uma estrada cheia de curvas, em que precisamos de encontrar a linha certa para não se sair do caminho. Afinal, as curvas, como se diz naquele anúncio, são retas interessantes, o que é curioso. E no meio disto tudo, depois, para se conhecer mundo, o estar quieto. Estar, simplesmente, parado. Sabem porquê?
 
 
 
Porque estar parado também é andar. Estar parado também é andar.